Sobre o App — Metodologia
O que cada módulo informa, a fonte, as contas e as limitações declaradas
O que é
O Observatório do Mercado de Previdência Privada é um aplicativo educacional que traduz os dados públicos da previdência complementar aberta brasileira — PGBL, VGBL e previdência tradicional — em oito módulos de leitura direta: panorama do mercado, instituições e grupos econômicos, produtos, fluxos, participantes e beneficiários, portabilidade, provisões e balanço, e distribuição por unidade da federação.
Não há dado proprietário, estimativa própria ou projeção: tudo o que aparece na tela é agregação aritmética do que a SUSEP publica. Quatro indicadores são construídos aqui — Momentum Competitivo, Taxa de Resgate, Captação Líquida Relativa e Saldo Normalizado de Portabilidade —, e cada um é uma razão entre agregados da própria base, definida linha a linha mais abaixo. Onde uma conta exigiu decisão metodológica, a decisão está declarada nesta página e em nota no próprio módulo.
Os módulos, um a um
Cada módulo responde a uma pergunta e usa um recorte próprio dos mesmos agregados. Todos partilham o filtro de produto (PGBL, VGBL, Tradicional) e a janela de 12 meses; onde o filtro não se aplica ou a janela muda, o módulo diz na tela.
1. Panorama do Mercado
Qual o tamanho do mercado e quem são as entidades que o formam?
Traz o total da métrica escolhida — contribuições, resgates, captação líquida, provisões, participantes ou saldo de portabilidade —, o crescimento contra a janela anterior e as quatro métricas proprietárias do mercado inteiro.
O treemap divide o mercado por entidade, com a cor dada pelo produto predominante de cada uma — o produto em que ela tem mais reserva. Atenção: a área da célula é o valor inteiro daquela entidade, inclusive o que ela tem nos outros dois produtos; o produto é rótulo de cor, não recorte de valor.
2. Instituições & Grupos
Quem lidera, quanto o topo concentra e como uma entidade evoluiu?
Ranking: as 20 maiores por métrica, com participação de mercado e as colunas de P1–P4 ao lado. A busca filtra a lista inteira e devolve a posição real da entidade procurada, não a posição dentro do resultado da busca.
Concentração: CR5 e CR10 (fatia somada das 5 e das 10 maiores) e o HHI — soma dos quadrados das participações em pontos, escala 0–10.000 —, recalculados sobre o recorte de produto escolhido. O mesmo cálculo é repetido consolidando por grupo econômico: em junho de 2026 o HHI sobe de 1.902,96 (44 entidades) para 1.905,35 (41 grupos), porque parte da pulverização aparente é a mesma casa aparecendo duas vezes.
Quadrante Competitivo: cruza tamanho (reservas, eixo logarítmico) com Momentum, dividido nas medianas. É onde se vê quem cresce acima do próprio tamanho e quem já está perdendo posição.
3. Produtos
Como PGBL, VGBL e Tradicional dividem o mercado — e desde quando?
Séries longas de mix 100% em contribuições, resgates e provisões, mais um painel por produto com os totais, o crescimento e as 10 maiores casas de cada um. A captação líquida fica fora do mix 100%: participação de uma diferença com sinal não é fatia de mercado, e há 32 competências na base com captação de 12 meses negativa.
4. Fluxos
Quanto entra, quanto sai e o que sobra?
Contribuições contra resgates, mês a mês, com a captação líquida em eixo próprio — é a diferença de duas barras de centenas de bilhões e, no mesmo eixo, viraria uma linha colada no zero. Abaixo, a composição dos resgates entre integrais, parciais e programados, e uma dispersão de reservas contra Taxa de Resgate.
5. Participantes & Beneficiários
Quantas pessoas estão acumulando e quantas já estão recebendo?
Estoque de participantes e de beneficiários, com entradas, saídas e cancelamentos de planos, mais tíquetes médios aproximados (contribuição por participante e benefício por beneficiário).
A abertura de tipo de benefício do produto tradicional (aposentadoria, pecúlio, pensão e outros) é preservada numa dimensão secundária: é a única abertura desse tipo em toda a base.
6. Portabilidade
Quem ganha e quem perde reserva para a concorrência?
Recebida, cedida e saldo líquido por entidade, em barras divergentes e em ranking, com o Saldo Normalizado de Portabilidade (P4) ao lado — o mesmo valor exibido no módulo 2, da mesma fonte.
O tíquete médio é calculado só na ponta recebida e rotulado como tal: a quantidade de operações das linhas cedidas está corrompida na fonte (ver “Limitações declaradas”).
7. Provisões & Balanço
Quanto está reservado, como se compõe e qual a saúde da entidade?
Reservas por produto e por entidade, a composição das provisões em 11 componentes com valor, e o balanço das supervisionadas — ativo, patrimônio líquido e resultado —, com ROE anualizado e alavancagem técnica.
O balanço vem do FIP, cuja entrega atrasa: a competência deste módulo pode ser anterior à do resto do app. Entidades sem entrega há mais de 12 meses saem da tabela e são contadas à parte, com o motivo escrito no rodapé.
8. Previdência por Estado
Onde estão as contribuições e os participantes?
Contribuições, resgates, participantes e contribuição per capita nas 27 unidades da federação, em cartograma de círculos — a posição de cada um é uma aproximação topológica (o vizinho a leste continua a leste), não a coordenada geográfica real.
A quebra por UF do SES cobre PGBL e previdência tradicional; o VGBL não tem abertura estadual, e por isso o filtro de produto deste módulo não o oferece. A cobertura da soma das 27 UFs contra o total nacional dos mesmos produtos é calculada ao vivo e impressa na tela — em junho de 2026, 95,5%.
Fonte e atualização
A origem é o SES — Sistema de Estatísticas da SUSEP, na modalidade Base Completa, disponível em www2.susep.gov.br. Os números do SES são construídos a partir dos FIPs (Formulários de Informações Periódicas) entregues pelas próprias supervisionadas.
- Cobertura: janeiro de 2015 em diante — 138 competências mensais até junho de 2026, sobre um universo de 69 entidades (44 com movimento na última competência).
- Tabelas: as 17 tabelas de previdência da Base Completa, mais o balanço patrimonial das supervisionadas.
- Atualização: a SUSEP republica a Base Completa mensalmente; o pipeline do app roda a cada nova divulgação, reprocessa a base inteira e regrava os agregados.
- Falha explícita: se o processamento mensal falhar, nada é publicado — os dados da competência anterior continuam no ar e o app nunca exibe tabela vazia como se fosse resultado.
Metodologia
As quatro métricas proprietárias
São calculadas em um único lugar do código e exibidas com o mesmo valor em todos os módulos que as mostram. Todas usam a mesma população — as entidades acima da materialidade — e, exceto o Momentum, o mesmo denominador: a provisão média dos 12 meses da janela.
Outros indicadores
resg_total é o resgate integral, não o total — lê-la como total subestimaria o resgate do mercado em cerca de 90%.Convenções
- Fluxo é somado; estoque, não. Contribuições, resgates, benefícios e portabilidade são somados nos 12 meses encerrados na competência de referência, com a alternativa “mês” onde faz sentido. Provisões, participantes e beneficiários são posição de fim de mês: somá-los em 12 competências produziria um número 12× maior sem significado, então a janela de 12 meses devolve a posição do último mês.
- Materialidade de R$ 100 milhões de provisão média em 12 meses. Abaixo disso a entidade é fundida na linha “Demais” e fica fora dos rankings de P1–P4. A régua é a provisão média — o mesmo denominador de P2, P3 e P4 —, porque uma entidade com reserva quase nula produz razões de centenas de por cento que dominariam qualquer ordenação. Em junho de 2026 o corte separa 22 entidades materiais de um resto que soma menos de 0,02% das reservas.
- Unidade monetária: o SES publica os valores em reais, e o app não aplica fator de conversão — a aferição contra a divulgação da FenaPrevi confirma a ordem de grandeza. A formatação para milhões e bilhões é apenas de exibição.
- Grupos econômicos: o vínculo vem da tabela de grupos do SES, não do cadastro de companhias, cuja coluna de grupo vem vazia. Os códigos “INDEPENDENTE” e “OUTROS GRUPOS” são baldes residuais, não conglomerados: cada entidade neles conta como grupo próprio.
- Denominador nulo ou negativo: a razão vira “—”. O app não substitui por zero, não devolve infinito e não esconde a linha.
Limitações declaradas
- Tíquetes médios são aproximações. A contribuição por participante e o benefício por beneficiário dividem um fluxo de 12 meses por um estoque de fim de período, sobre populações que não são exatamente as mesmas. Servem para comparar ordens de grandeza entre produtos e entidades, não para descrever o aporte de uma pessoa.
- A quantidade de operações de portabilidade cedida está corrompida na fonte — as linhas cedidas registram bilhões de operações contra milhões nas recebidas. O valor cedido é confiável e é usado; a quantidade cedida nunca é somada, e o tíquete médio existe apenas na ponta recebida, rotulado como tal.
- O balanço não segrega a operação de previdência. Ativo, PL e resultado são da supervisionada inteira, que pode operar também seguros de pessoas e danos. ROE e alavancagem técnica descrevem a empresa, não a carteira de previdência.
- Valores nominais, sem deflacionamento. Toda série longa deste app está em reais correntes. Numa janela de 11 anos, parte do crescimento observado é inflação — comparações de 2015 com 2026 devem levar isso em conta.
- As reservas do app não são uma parcela do balanço. Há três medidas de reserva na base, com perímetros distintos, e o app as mostra lado a lado sem somá-las: fundos PGBL + fundos VGBL + provisões de seguros de previdência (R$ 2.152,8 bi em 33 entidades), a composição detalhada das provisões (R$ 1.937,3 bi em 11 componentes) e as provisões técnicas do balanço (R$ 1.587,2 bi em 53 entidades). O módulo 7 nomeia as três e diz que não são parcelas de um mesmo total.
- A identidade demográfica tem duas quebras datadas. “Entradas − saídas − cancelamentos = variação do estoque” fecha com divergência mediana de 0,0006% do estoque, mas junho de 2018 e junho de 2019 trazem reposições de posição sem movimento correspondente. A tolerância publicada é de ±0,04%, e as duas datas estão anotadas na tela.
- Defasagem de entrega dos FIPs: competências recentes podem mudar retroativamente, e o módulo de balanço pode estar em competência anterior à do resto do app.
Glossário
Toda variável e todo indicador que aparecem em alguma tela do app, definidos uma vez. Onde o nome na tela difere do nome na fonte, o nome da fonte vem junto.
Recortes e unidades
coenti. É a unidade mínima de todo ranking.cogrupo). Consolidar por grupo soma as entidades do mesmo dono — duas seguradoras irmãs não competem entre si, e a concentração real do mercado é a consolidada.Variáveis financeiras
resg_total é o resgate integral, não o total.Variáveis de pessoas
Indicadores calculados
O que os números dizem — cinco leituras
Cinco fatos que atravessam vários módulos e que, lidos isoladamente, costumam ser interpretados ao contrário. Todos os valores são de junho de 2026.
R$ 153,3 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2026, contra R$ 183,3 bilhões na janela anterior. O pico anual foi 2024, com R$ 196,7 bilhões, e 2025 fechou em R$ 157,8 bilhões. Não é falha de apuração nem competência incompleta: é retração de captação, e ela atravessa todos os módulos de fluxo.
No mix de contribuições, o VGBL sai de 87,0% (dezembro de 2015) para 87,4% (junho de 2026) — praticamente reto. Quem conta a história é a reserva: o VGBL vai de 57,6% para 70,1% do estoque e o tradicional cai de 25,1% para 16,4%. A migração já estava feita no fluxo em 2015; o que se observa desde então é o estoque acompanhando, com uma década de atraso.
São 14,6 milhões de participantes em previdência tradicional — sobretudo pensão (7,9 mi) e pecúlio (4,2 mi), de tíquete baixíssimo — contra 11,0 milhões no VGBL, que detém 70% da reserva. Contar cabeças e contar reservas produz dois rankings de produto quase opostos. Nos beneficiários a hierarquia se inverte de novo: aposentadoria é 44,1%.
São 106.658 beneficiários em gozo de benefício contra 32,9 milhões de participantes em acumulação. A previdência aberta brasileira ainda não chegou na fase de pagamento — o que significa que a relação entre benefícios pagos e reservas observada hoje não antecipa a de um regime maduro.
SP responde por 71,3% dos participantes de PGBL e tradicional e por 50,9% das contribuições, muito acima de seu peso populacional (21,9% no Censo 2022). A diferença é grande demais para ser preferência regional, e a hipótese mais provável é que a UF registrada seja a da sede do plano — especialmente de planos coletivos — e não a residência do participante. Esta é uma hipótese, não uma constatação: a documentação do SES não explicita o critério de atribuição estadual. O cartograma deve ser lido como distribuição de contratos, não de pessoas.
Escopo — o que não está aqui
- Previdência fechada (EFPCs, fundos de pensão, patrocinadores): é supervisionada pela PREVIC, não pela SUSEP, e não integra o SES. Todo este app trata exclusivamente da previdência complementar aberta.
- Microdados de participantes: idade, sexo, renda, perfil de investimento e valor individual de reserva não são publicados para previdência aberta. As leituras demográficas deste app se limitam a contagens agregadas.
- Open Insurance: dados de compartilhamento e as APIs do sistema não integram o SES.
- Saúde suplementar: é competência da ANS, não da SUSEP.
- Seguros de danos e de pessoas em geral, capitalização e resseguro: ficam fora do recorte. As entidades aparecem aqui pela sua operação de previdência — a exceção declarada é o balanço patrimonial do módulo 7, que é da supervisionada inteira.
Créditos
Prof. José Américo. Desenvolvido para fins educacionais.
Stack: Next.js 14 (App Router) e React 18 em TypeScript, Tailwind CSS, Plotly.js para os gráficos e SVG próprio para o cartograma. O processamento da Base Completa é feito em Python (pandas + pyarrow) e publicado como arquivos Parquet agregados, lidos pelas rotas de API do próprio app.
Dúvidas e sugestões: entre em contato.